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28/03/2019

Deputado Limma repudia a comemoração ao golpe militar sugerida por Bolsonaro

Deputado Francisco Limma(PT)
O líder governista na Assembleia Legislativa do Piauí, deputado Francisco Limma (PT), usou a tribuna da Casa para apresentar uma moção de repúdio à comemoração ao golpe militar de 1964 sugerida pelo presidente Jair Bolsonaro. 

No início desta semana, o presidente Jair Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa que faça as "comemorações devidas" pelos 55 anos do golpe que deu início a uma ditadura militar no país. O golpe militar que depôs o então presidente João Goulart ocorreu em 31 de março de 1964. Após o ato, iniciou-se uma ditadura que durou 21 anos. No período, não houve eleição direta para presidente. O Congresso Nacional chegou a ser fechado, mandatos foram cassados e houve censura à imprensa. 

Limma destacou que “o Ministério Público Federal emitiu nota se manifestando contra a orientação dada por Bolsanaro. A história não nega a censura aos meios de comunicação, as torturas, desaparecimentos de pessoas e assassinatos, como o de 434 militares contrários ao golpe e oito mil indígenas”, destacou o parlamentar. 

Francisco Limma pontuou ainda que no Piauí foram muitas as pessoas que sofreram as consequências da ditadura militar, iniciada com o golpe. 

“O saudoso Themístocles Sampaio Pereira, pai do nosso atual presidente da Assembleia; o amigo Antônio José Medeiros; Clidenor de Freitas, Celso Barros; José Reis Pereira; Padre Raimundo José e Jesualdo Cavalcantti são alguns dos nomes que sofreram com a ditadura, seja o exílio, perda de mandato ou tortura. Esta data não tem nada que ser comemorada e é um absurdo esta orientação do presidente”, concluiu o deputado.

03/03/2019

As dores que vencem canhões • Por Alvaro Carneiro

O título pode parecer pouco original, considerando se tratar de paródia de trecho da canção de Geraldo Vandré, contudo, ganha força se imaginarmos a máquina de guerra montada para coibir a lágrima de Lula durante sua breve passagem pelo velório do neto que tanto amava, ocorrido no sábado de carnaval. Um miúdo homem de 1,70 cm e de cabelos esbranquiçados por seus 73 anos, fragilizado por tantas desgraças que se abateram sobre si, consegue mobilizar um exército gigantesco e destacado para guerrear contra as lágrimas que o idoso iria verter. 

Toda a força bélica e o aparato humano fortemente armado para reprimir um pranto se mostrou miúdo diante da presença dolorida e silenciosa de Lula. Tudo isso porque, frouxamente covardes, aqueles dublês de homens verdadeiros ainda sabem que Lula não teria a magia de um herói da ficção que, naquele momento, pudesse se transformar em figura que voasse em fuga para Krypton, mas ainda carrega consigo o gigantismo das ideias. 

O que mais chamou a atenção foi o instante em que o ex-presidente tentou tocar, calado, a mão de alguém que acenava para ele e foi imediata e abruptamente (quase empurrado) por um jovem brutamontes da Polícia Federal. 

Aquele homem da “Lei” deve ter guardado o gesto para si como o provável heroísmo máximo de sua vida; ele não vai conseguir outro momento de tão desmedida bravura como o de impedir que um velhinho trocasse cumprimento tátil de milésimos de segundos com um semelhante. É que ali estão os super poderes de Lula: na cordialidade e empatia com os humanos de verdade; com aqueles que resistem à cegueira do ódio e conseguem ver o legado do bem que aquele mirrado homem empreendeu. 

A força que carrega não está na septuagenária carne já flácida, mas na leveza, lucidez e humanidade de seus pensamentos que se mantém guardados com frescor em uma cela de Curitiba. Essa é a poção poderosa que Lula mantém consigo e faz daqueles “soldados armados amados ou não quase todos perdidos de armas na mão”.

Alvaro Carneiro
Jornalista 

13/02/2019

Fábio Novo destaca inauguração do Rodoanel e obras da nova Maternidade em Teresina

Deputado Fábio Novo
O deputado estadual Fábio Novo (PT) fez uso da tribuna da Assembleia Legislativa do Piauí para registrar duas obras do Governo do Estado: o Rodoanel de Teresina, inaugurado na última sexta-feira (8); e a visita, realizada nesta manhã, às obras da nova Maternidade, localizada na Zona Leste da capital. 

Fábio Novo destacou os benefícios que a obra do Rodoanel trouxe para a capital. "É uma obra importantíssima, de 28 quilômetros, que liga as BRs 316 e 343, além de 300 metros sobre o Rio Poty e dois viadutos construídos, onde foram investidos cerca de R$ 110 milhões. Com a inauguração do Rodoanel, temos a opção de desafogar o tráfego pesado de caminhões que antes circulavam pelo Centro, melhorando a mobilidade urbana de Teresina. Quero parabenizar a insistência e persistência de toda equipe do Governo e da Secretaria de Transporte para sair essa obra, que, hoje, é uma realidade", ressalta o parlamentar. 

Em seguida, o deputado falou sobre a visita que fez, juntamente com o governador Wellington Dias e comitiva, às obras da nova Maternidade de Teresina, um prédio com investimentos de R$ 84 milhões, que tem previsão de entrega para 2020. 

"Acredito que é uma obra prioritária e que a nova gestão do governador Wellington Dias deve focar, pois sabemos das dificuldades que a Maternidade Evangelina enfrenta para dar o devido atendimento às nossas gestantes. Também queremos ressaltar o trabalho dos deputados federais Assis Carvalho e Iracema Portela, que alocaram recursos através de emendas parlamentares para a construção da nova maternidade", frisa.

30/01/2019

Lula, torturado, presente

Marcelo Mascarenha

"Vavá, irmão mais velho de Lula, morreu de câncer. Lula, um idoso de 73 anos, pediu para ir ao velório. A Justiça não permitiu, sob a alegação de que a PF não tinha a logística necessária. A mesma PF que recentemente mandou um avião e agentes para a Bolívia sem necessidade para pegar um preso e tirar foto com ele, e acabou voltando vazio.

Lula é um preso político. Não basta encarcerá-lo. É preciso proibi-lo de falar, impedi-lo de aparecer em público e submetê-lo a sofrimento psicológico. Nesse passo, não tardará o tempo em que seremos proibidos de pronunciar o seu nome.

Logo abaixo um irretocável texto do Dr. Roberto Tardelli, promotor de justiça aposentado".

Marcelo Mascarenha é Procurador do Município de Teresina



Acabo de ver que Lula, preso em Curitiba, foi impedido de comparecer ao velório de seu irmão, Vavá.

O art. 120, da Lei de Execuções Penais é claro:
“Os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos:
I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão;
II - necessidade de tratamento médico (parágrafo único do artigo 14).
Parágrafo único. A permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o preso.”

Não há qualquer dúvida quanto ao direito de Lula, negado pela Polícia Federal, sob o argumento de que não conta com estrutura de transporte e escolta, temendo uma comoção pública com seu comparecimento ao velório do irmão.

Pois bem. Desde que o samba é samba, dificuldades materiais não podem impedir o direito do preso, de dar seu último adeus a um ente querido. Se a Polícia Federal não possui condições, então que permitisse que ele fosse por conta própria, coisa que já vi acontecer.

Amigos ou familiares do presidente que custeassem as despesas de viagem, com compromisso de retorno, assim que se encerrassem as cerimônias fúnebres, fosse de ônibus, fosse de voo de carreira, fosse de automóvel. Tudo o que não se poderia fazer - e se fez - seria impedir o exercício de um direito explícito na lei, de natureza evidentemente humanitária. Lula é conhecido o bastante para não ter onde esconder-se. Estaria entre amigos e parentes. Só uma mente perturbada poderia imaginar que aquelas pessoas fossem iniciar uma revolução.

A negativa, a par de abusiva, é sobremaneira cruel e reflete uma polícia que parece se comprazer com o sofrimento atroz que impôs a seu preso mais ilustre. Foi uma demonstração de um poder tirânico, que se coloca acima da lei, que despreza a lei por razões burocráticas, tão vazias quanto impiedosas.

Se Lula não for ao velório, se nada acontecer diante dessa absurda negativa, referendada pelo Ministério Público Federal, em um parecer desses que entrarão para a História, no que ele possui de delirante, então, a conclusão única a se permitir: vivemos em um estado de exceção, em que direitos elementares são ignorados em nome de razões oficiais carimbalistas.

Prantear nossos mortos é um direito elementar. Chorar nossos mortos, despedir-nos de nossos mortos está acimados burocratas medíocres. Lula vive uma intensa experiência de tentativa de enlouquecimento. Com mais de setenta anos, com as limitações físicas da idade, ele é tratado como um preso de alta periculosidade.

Que ninguém mais duvide: Lula é preso político. Jean Wyllys é exilado politico, Marielle foi vítima de um assassinato político.

Impedi-lo de despedir-se do irmão configura tratamento indigno, desumano e opressor. Em palavras mais cruas, Lula sofre tortura psicológica, imposta pela Polícia Federal, sob proteção do Ministério Público, com o beneplácito do Judiciário.

Lula, torturado, presente.

25/11/2018

NÓS E ELES • Por Merlong Solano

Merlong Solano durante caravana Lula Livre - Piauí
Com alguma frequência, lideranças conservadoras acusam o PT e a esquerda, Lula em particular, de terem dividido o Brasil: “Nós e eles”, “pobres e ricos”, “negros e brancos”, etc. Vejo agora o ex-prefeito nomeado de Teresina e ex-governador eleito Freitas Neto, tradicional liderança da ARENA, PDS, PFL e PSDB, levantar a mesma tese em jornal de nossa capital. Indo adiante, Freitas Neto diz: “Bolsonaro é fruto do Lula, é um produto dele”.

Ora, ora, vamos pensar um pouco sobre isso. Como professor de história, economista e como filho de caminhoneiro, vejo com certo sentimento de impotência essa enorme capacidade que as elites tradicionais têm de inverter os termos da equação político-social brasileira e de jogar sobre os outros responsabilidades que são suas.

Qualquer estudante universitário, minimamente antenado, especialmente da área de humanidades, sabe que a formação social brasileira está assentada, isto é, tem alicerces fincados, na escravidão e no latifúndio e que daí advêm outras marcas relevantes de nossa formação: patriarcalismo, autoritarismo, machismo, falta de senso de responsabilidade social e a exclusão social; sendo esta admitida como fato natural e imutável.

Então quando olhamos para além dos interesses próprios, que são pessoais e também de classe, verificamos que o “nós e eles” se tornou uma categoria política porque já era um fato da nossa formação sócio-cultural. A quanto tempo existe em nossa sociedade a clara noção, por exemplo, de que justiça é coisa a que só os ricos têm acesso? Foi o PT que inventou esse sentimento? Foi o PT que forjou a divisão entre a Casa Grande e a Senzala?

Alguém pode tentar me retrucar dizendo assim: o professor Merlong está tentando responder a uma tese atual, que considera equivocada, com fato de nosso passado histórico. A estes eu digo: esse passado está aí presente, bem diante de nossos olhos, em nosso sistema educacional, nas empresas, igrejas, em nossas casas. Isso acontece porque a desigualdade extrema (maior marca de nossa formação social) se reproduziu ao longo do tempo e atravessou a Colônia, o Império e a República.

A desigualdade extrema pode ser demonstrada em muitos fatos, mas cito apenas dois:

1) somente em 1996 as elites tradicionais se sentiram na obrigação de alocar recursos orçamentários, por meio do FUNDEF, para garantir vaga no Ensino Fundamental para todas as nossas crianças;

2) essas mesmas elites jamais cumpriram a promessa de praticar um salário mínimo equivalente a 100 dólares. Registro que quando o ilustrado e poliglota Fernando Henrique Cardoso entregou o governo ao ex-operário Lula o salário mínimo estava em cerca de 75 dólares.

Ao contrário do que pensa Freitas Neto, o “nós e eles”, que sempre esteve bem fincado em nossa formação social, se tornou fato político em razão da reação das elites tradicionais às ações concretas do governo da esquerda no sentido de reduzir a distância ente o “nós e eles”. Sem espaço para citar todas as ações, destaco umas poucas: o salário mínimo chegou a 360 dólares; o FUNDEF, em apenas 10 anos, evoluiu para o FUNDEB (que garante vaga em todo o ensino básico e expande o acesso à educação infantil); a enorme expansão do sistema universitário, que dobrou as vagas em apenas 12 anos; o Minha Casa Minha Vida, garantindo recursos orçamentários para reduzir o déficit habitacional; o Mais Médicos, Ciência sem Fronteiras, o Farmácia Popular, Luz para Todos...

Sentido-se ameaçadas em seus tradicionais privilégios e sem dispor de candidato capaz de enfrentar as esquerdas, as elites passaram a utilizar seus instrumentos de poder com o fim de destruir qualquer alternativa de renovação do governo popular: afastamento de Dilma, mesmo sem crime cometido; prisão de Lula, sem qualquer prova de crime cometido; criminalização dos movimentos sociais, etc. E como ainda assim nenhum candidato da direita se viabilizou, recorreram ao candidato da extrema direita e ao financiamento da maior campanha de difamação já feita por meio das redes sociais.

Sem ideias e propostas para apresentar com alguma probabilidade de obter aceitação popular, foi preciso recorrer à destruição dos adversários. Agora Freitas – talvez já preocupado com os rumos do novo governo – procura isentar as elites de suas responsabilidades e apresenta a tese de que Lula é o criador de Bolsonaro. A coisa é mais ou mais a seguinte: Lula e todos nós – seus amigos, seguidores e admiradores – desenvolvemos uma espécie de masoquismo político e por isso alimentamos o nazi-fascismo no Brasil.

Melhor rir, pra não chorar.

Merlong Solano, em 24.11.2018
Professor da UFPI
Suplente de deputado federal - Pi

19/11/2018

O limiar de uma luta sem trégua • Texto de Deusval Lacerda de Moraes


Tudo começou quando o destino os fizeram bancários, Wellington Dias na Caixa Econômica Federal e Regina Sousa no Banco do Brasil. 

A foto mostra ainda jovens na confluência da luta sindical pela conquista da sua hegemonia, que, no final das contas, lograram êxito e ambos presidiram o Sindicato dos Bancários do Piauí. 

Antes foram para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e para o Partido dos Trabalhadores (PT). 

Daí foi um pulo para Wellington Dias conquistar a presidência do PT que, em seguida, Regina Sousa também presidiu a sigla petista. 

Na política partidária, Wellington Dias conquistou os mandatos de vereador de Teresina, deputado estadual e deputado federal com o apoio da militante Regina Sousa. 

Eleito e reeleito governador do Piauí, na primeira vez, Regina Sousa serviu com brilhantismo na Secretaria da Administração. 

Eleito Senador da República, Wellington Dias a fez primeira suplente, que, ao assumir o governo do Estado pela terceira vez, em 2014, alçou a sua fiel escudeira ao Senado Federal. 




Reeleito ao governo piauiense pela segunda vez, em 2018, Regina foi sua companheira de chapa na vice-governadoria. 

Só uma luta de sonhos, ideais e de construção de uma sociedade humana, justa e sadia para todos faz uma união política e ideológica tão profícua e duradoura. 

Por fim, há quem diga que uma foto vale mais de mil palavras, a foto acima vai muito além disso, por valer uma luta indormido pela redenção de todos os piauienses.

16/11/2018

Esvaziamento do Mais Médicos: mais exclusão social a caminho


Merlong Solano
•Texto de Merlong Solano

As evidências de que o governo Bolsonaro será uma continuidade do governo Temer, com aprofundamento das medidas antipopulares que jogam sobre os pobres o peso da crise, já são inúmeras; basta ver o que o superministro da economia está anunciando para a previdência social: regime de capitalização individual, com base no modelo chileno, onde a maioria dos aposentados estão recebendo um aposento equivalente a meio salário mínimo. Aqui no Brasil, com esse modelo em vigor, cerca de 90% dos aposentados estariam recebendo R$ 477,00 por mês. A velhice da miséria é a proposta do novo governo.

Temer já paralisou ou esvaziou programas diversos, dentre eles destaco o Farmácia Popular, Brasil sem Fronteiras e o Minha Casa Minha Vida. No caso deste último, fundamental para reduzir o déficit de moradia e para gerar empregos na construção civil, a Caixa só firmou contratos no ano passado para a construção de 27 mil novas unidades habitacionais no Brasil, nas faixas 1 e 1,5 (as de renda familiar de até R$ 2.600,00). A meta para 2017 era contratar 170 mil novas unidades.

Nessa mesma linha, de insensibilidade social, Bolsonaro já começou a esvaziar o programa Mais Médicos, que levou a atenção básica em saúde para pequenas cidades e para periferias que simplesmente não contavam com a presença de um médico. Dois aspectos a considerar sobre a visão do novo governo: o que o Bolsonaro sabe sobre a importância da atenção básica para o Sistema Único de Saúde? Quanto dinheiro eles esperam economizar para os banqueiros com o esvaziamento desse programa?

Quanta diferença! Enquanto a pequena e pobre Cuba exporta profissionais qualificados (neste momento médicos e engenheiros cubanos prestam serviços em 67 países), o Brasil segue firme, desde o afastamento da presidenta Dilma há 2 anos, no sentido de aprofundar a desigualdade social e voltar ao mapa da fome.

Merlong Solano Nogueira
Professor da UFPI
1º suplente de Deputado Federal – PI