Rafael Fonteles participa de carreata por Teresina ao lado de Chico Luca, Julio Cesar e Marcelo Castro • Foto: Nassar Jadão
De jovem secretário da Fazenda a governador com aprovação nacional, Rafael Fonteles transformou o Piauí em vitrine administrativa do PT e chega a 2026 com força eleitoral que amplia seu peso no projeto político do partido
Aos 41 anos, Rafael Fonteles deixou de ser apenas uma liderança regional do PT para se tornar um dos nomes mais competitivos da nova geração política brasileira. Governador do Piauí, matemático formado pela Universidade Federal do Piauí e mestre em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), ele construiu uma trajetória que combina formação técnica, experiência administrativa e capacidade de articulação política.
Eleito governador em primeiro turno em 2022, com 1,115 milhão de votos, a maior votação da história do Piauí, Fonteles assumiu o Palácio de Karnak aos 37 anos. Antes disso, havia passado sete anos à frente da Secretaria da Fazenda e presidido por dois mandatos o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, o Comsefaz.
É justamente a combinação entre resultado administrativo e força eleitoral que ajuda a explicar a projeção alcançada pelo governador.
Pesquisas divulgadas ao longo de 2026 mostram uma vantagem excepcional de Fonteles na corrida pela reeleição. O Datafolha registrou 56% das intenções de voto e 72% de aprovação da gestão. O AtlasIntel, em levantamento realizado no fim de agosto, apontou 71% dos votos válidos para o petista, contra 23,7% do segundo colocado.
Outros levantamentos chegaram a resultados semelhantes. O Instituto Amostragem apontou 73,84% dos votos válidos para Fonteles, enquanto o Datamax registrou 74,94%.
A sequência de pesquisas indica a consolidação de uma relação política entre o governo e parcela expressiva do eleitorado piauiense. O governador chega ao período eleitoral com uma vantagem que, se confirmada nas urnas, poderá produzir uma das maiores vitórias proporcionais de um candidato majoritário no país.
Um modelo de gestão que ganhou projeção nacional
A trajetória de Rafael Fonteles ajuda a entender por que o Piauí passou a ocupar espaço no debate nacional sobre gestão pública.
Na Fazenda, Fonteles participou da construção de políticas de equilíbrio fiscal e coordenou uma agenda de investimentos que ampliou sua interlocução com governadores, secretários estaduais e o governo federal. A experiência no Comsefaz o colocou no centro de discussões nacionais sobre federalismo fiscal e reforma tributária.
No governo, a agenda passou a incorporar transformação digital, educação em tempo integral, tecnologia, inovação, atração de investimentos e transição energética. Em 2025, Fonteles foi convidado para apresentar, em São Paulo, as políticas de longo prazo do Piauí nas áreas de educação, tecnologia e inovação, incluindo a expansão do ensino integral e a introdução da inteligência artificial no ensino médio.
O reconhecimento nacional também aparece em áreas nas quais governos tradicionalmente enfrentam grandes dificuldades.
Um dos exemplos mais expressivos está na segurança pública. A política implementada no Piauí, baseada em inteligência, tecnologia, integração das forças de segurança e uso de dados, projetou o então secretário estadual Chico Lucas para o governo federal.
Em janeiro de 2026, o ministro da Justiça, Wellington César, convidou Lucas para comandar a Secretaria Nacional de Segurança Pública. A escolha foi posteriormente confirmada, levando para Brasília um dos principais responsáveis pela política de segurança desenvolvida no Piauí.
O próprio governo estadual destacou a redução de indicadores de criminalidade durante o período. Segundo dados apresentados por Rafael Fonteles, houve queda superior a 30% nos homicídios e superior a 50% nos roubos de celulares.
A transferência de uma experiência construída no Piauí para uma secretaria estratégica do governo federal tornou-se, assim, um dos símbolos da projeção nacional alcançada pela administração de Fonteles.
Da gestão estadual ao debate sobre o futuro do PT
É nesse contexto que o nome de Rafael Fonteles começa a ganhar outra dimensão dentro do campo progressista.
A eleição de 2026 ainda precisa ser vencida e qualquer discussão sobre 2030 depende, antes de tudo, do resultado das urnas. Mas uma vitória expressiva no primeiro turno, acompanhada de elevados índices de aprovação, fortaleceria politicamente o governador dentro do PT e ampliaria seu espaço no debate sobre a renovação da esquerda brasileira.
O cenário ganha relevância porque Fonteles pertence a uma geração política mais jovem e combina características pouco comuns no universo dos governadores, as quais incluem formação técnica, experiência administrativa, trânsito institucional e capacidade eleitoral.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo a principal liderança nacional do campo progressista, o avanço de novas lideranças tornou-se uma questão estratégica para o PT. Nesse debate, Rafael Fonteles passa a ocupar posição cada vez mais evidente.
Não se trata de uma sucessão automática nem de uma candidatura presidencial definida. Trata-se de algo mais concreto, que é a construção de uma liderança nacional capaz de apresentar resultados, vencer eleições e defender um projeto de desenvolvimento associado ao campo democrático e popular.
Se confirmar nas urnas a vantagem apresentada pelas pesquisas, Rafael Fonteles poderá sair de 2026 não apenas como governador reeleito, mas como um dos principais nomes do PT para o futuro.
O Piauí, nesse sentido, tornou-se mais do que um território eleitoralmente favorável ao partido. Tornou-se uma vitrine de gestão que o PT pode apresentar ao país.
E Rafael Fonteles, de jovem matemático formado na UFPI a governador com ampla vantagem eleitoral, começa a ser observado sob uma perspectiva que ultrapassa os limites do Palácio de Karnak. Ele passa a ser visto como uma das lideranças que podem ajudar a construir o próximo capítulo do projeto político iniciado por Lula.
Por: Nassar Jadão • Editor da Rede PT no Parlamento

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