Secretário nacional de Segurança Pública participou de agenda com Lula no Rio de Janeiro e destacou a necessidade de ação coordenada entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, defendeu nesta sexta-feira (18), durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro, uma política de segurança pública baseada na integração entre as forças federais, estaduais e municipais, no uso de inteligência e na aplicação de tecnologia para enfrentar a criminalidade.
Para Chico Lucas, o enfrentamento ao crime organizado exige que as diferentes instituições deixem de atuar de forma isolada e compartilhem informações, estruturas e estratégias. A proposta está alinhada à defesa do governo federal pela consolidação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e pelo fortalecimento da cooperação federativa.
A agenda ocorre em um momento de ampliação das ações conjuntas coordenadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na quarta-feira (16), as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) realizaram uma operação simultânea em 20 unidades da Federação. A ofensiva terminou com 137 prisões, 173 mandados de busca e apreensão e aproximadamente R$ 510 milhões em valores e bens apreendidos. Atualmente, existem 41 Ficcos distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, com participação de diferentes forças de segurança e compartilhamento de informações de inteligência.
No Rio de Janeiro, a estratégia de integração também ganhou novos instrumentos. O Ministério da Justiça e o governo estadual firmaram acordos para ampliar a atuação conjunta no enfrentamento às organizações criminosas e proteger corredores considerados estratégicos, como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Linha Amarela e os acessos ao Porto do Rio e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
Os acordos preveem produção conjunta de inteligência, compartilhamento de informações, apoio a investigações, análise patrimonial e utilização de tecnologias como cercamento eletrônico, leitores automáticos de placas, drones, monitoramento aéreo e centros integrados de comando e controle.
Inteligência contra o crime
A integração também está sendo aplicada ao combate aos roubos e furtos de celulares. O Programa Nacional Celular Seguro, coordenado pelo Ministério da Justiça, passou a utilizar o Banco Nacional de Celulares com Restrição, que reúne informações provenientes das 27 unidades da Federação.
A ferramenta permite compartilhar dados sobre aparelhos roubados, furtados ou recuperados e amplia a capacidade das forças de segurança de identificar equipamentos de origem ilícita, combater a receptação e recuperar celulares para seus proprietários.
O Banco Nacional de Celulares com Restrição foi instituído pelo Decreto nº 13.034, de junho de 2026, e integrado ao Sinesp. A norma estabelece que os dados devem ser utilizados para prevenção, investigação e repressão de crimes relacionados à subtração e comercialização ilegal de aparelhos, além de permitir o compartilhamento de informações entre os órgãos do SUSP.
Outra iniciativa recente é o Infoseg, programa criado pelo Ministério da Justiça para ampliar a integração e o compartilhamento de dados e informações de segurança pública. A medida estabelece diretrizes para uma Base Nacional de Segurança Pública dentro do Sinesp.
Modelo que ganhou projeção a partir do Piauí
A defesa de uma segurança pública orientada por dados e integração também está relacionada à experiência de Chico Lucas à frente da Secretaria da Segurança Pública do Piauí.
Antes de assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas comandou a pasta no estado e desenvolveu políticas que combinaram inteligência, tecnologia, pesquisa e integração entre as forças policiais. A experiência piauiense ganhou projeção nacional e contribuiu para sua escolha para o cargo no governo Lula.
A estratégia adotada no Piauí incluiu o uso de dados para orientar operações policiais e iniciativas específicas para combater roubos e furtos de celulares. A experiência foi registrada pela imprensa nacional como uma das marcas da gestão de Chico Lucas no estado.
SUSP como política permanente
Durante a agenda no Rio, Chico Lucas também reforçou a importância de consolidar o SUSP por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
A proposta busca redefinir e organizar as competências da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios na área de segurança, criando bases para uma atuação mais coordenada entre os diferentes níveis de governo. Lula voltou a defender a PEC durante a agenda desta sexta-feira.
A lógica defendida por Chico Lucas é transformar a cooperação entre as forças de segurança em uma política permanente, com compartilhamento de informações, integração operacional e planejamento baseado em evidências.
Em vez de ações isoladas, a estratégia coloca a inteligência e a cooperação federativa no centro do enfrentamento ao crime organizado. É uma mudança de abordagem que busca ampliar a capacidade do Estado de investigar, prevenir crimes, desarticular organizações criminosas e recuperar territórios com presença permanente do poder público.