Secretário nacional de Segurança Pública afirma ao Estadão que combate ao crime organizado não pode depender da arrecadação de atividades consideradas nocivas à sociedade
O secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, o Chico Lucas, defendeu, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, uma mudança na política de financiamento da segurança pública no Brasil. Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca fontes permanentes de recursos para o setor e não pretende mais vincular seu custeio à arrecadação das plataformas de apostas on-line, as chamadas bets.
Para Chico Lucas, seria um “contrassenso” financiar o enfrentamento à violência e ao crime organizado com receitas provenientes de uma atividade que, em sua avaliação, produz efeitos nocivos para a sociedade. “Não pode explorar a dor alheia”, afirmou, segundo o conteúdo da entrevista reproduzido nas redes sociais.
A declaração ocorre em meio à ofensiva do governo federal contra as apostas on-line. Lula deve anunciar nesta sexta-feira (25), em São Paulo, uma medida provisória com restrições amplas ao setor. As informações mais recentes indicam que o governo trabalha com a possibilidade de proibir tanto as apostas esportivas quanto os cassinos on-line. UOL Notícias
A posição de Chico Lucas também se conecta ao debate sobre a PEC da Segurança Pública. O texto aprovado pela Câmara previa a destinação de parte da arrecadação das bets ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional. No Senado, porém, a Comissão de Constituição e Justiça retirou esse dispositivo do texto-base aprovado em setembro. Senado Federal
Na avaliação apresentada pelo secretário, o financiamento da segurança precisa estar baseado em receitas permanentes e em uma política pública estruturada, e não depender da expansão de um mercado de apostas. A proposta se insere na estratégia defendida pelo governo federal de ampliar a integração entre União, estados e municípios e fortalecer o enfrentamento ao crime organizado por meio de inteligência, tecnologia e operações coordenadas.
Chico Lucas tem levado para a Secretaria Nacional de Segurança Pública experiências desenvolvidas no Piauí durante sua passagem pelo comando da segurança estadual. Entre as iniciativas destacadas estão a integração das forças policiais, o uso de inteligência e tecnologia e ações de combate ao crime organizado. Em setembro, durante agenda no Rio de Janeiro com Lula, ele defendeu que a cooperação entre forças federais, estaduais e municipais seja acompanhada pelo compartilhamento de informações e inteligência. Conecta Piauí
A discussão sobre as bets ganhou ainda mais espaço no debate nacional depois que pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 23 de setembro mostrou que 75% dos entrevistados concordam com a proibição das apostas on-line. O levantamento ouviu 5.015 adultos entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual. CNN Brasil
A entrevista de Chico Lucas ocorre, portanto, no momento em que o governo Lula discute não apenas o futuro das apostas no país, mas também um novo modelo de financiamento e organização da segurança pública. Para o secretário, o desafio é construir uma estrutura capaz de enfrentar o crime organizado de forma permanente, com recursos estáveis, integração institucional e políticas baseadas em inteligência.
No centro da discussão está a determinação segurança pública não deve depender da expansão da arrecadação de um mercado de apostas, mas de uma política nacional estruturada e financiada de forma permanente.










