A experiência do Piauí no enfrentamento à criminalidade colocou Chico Lucas no debate sobre a composição do futuro Ministério da Segurança Pública, prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta segunda-feira (26), integrantes do PT do Nordeste defendem o nome do atual secretário nacional de Segurança Pública para comandar a nova estrutura federal.
A articulação ocorre em um momento de discussão sobre o papel da União no combate ao crime organizado e de negociações no Congresso Nacional para viabilizar a criação do ministério. Até o momento, não há confirmação oficial de que Lula tenha escolhido Chico Lucas para o cargo.
Aliado do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), Chico Lucas comandou a Secretaria de Segurança Pública do estado entre 2023 e 2026. Em janeiro deste ano, assumiu a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, ampliando sua atuação para o âmbito federal.
Resultados no Piauí entram no debate nacional
Durante sua passagem pela secretaria estadual, Chico Lucas esteve associado a medidas de enfrentamento aos roubos e furtos de celulares, uso de tecnologia nas investigações e integração das forças policiais.
Balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí em dezembro de 2025 apontou redução de 52,81% nos roubos de celulares entre 2022 e 2025, considerando os dados de janeiro a novembro dos respectivos períodos. O número de ocorrências caiu de 12.917 para 6.096, segundo os registros oficiais.
A gestão estadual também investiu em ferramentas de inteligência e rastreamento de aparelhos, com iniciativas como o CellGuard e o LupaBot, voltadas à recuperação de celulares e ao combate a esse tipo de crime.
Os resultados integram o histórico administrativo que acompanha Chico Lucas em sua atuação nacional. A avaliação mais ampla da política de segurança, entretanto, exige considerar também outros indicadores de violência, as séries históricas e a metodologia utilizada nos levantamentos oficiais.
Rafael Fonteles amplia sua projeção nacional
A possível indicação de Chico Lucas também se insere no contexto da relação política e administrativa com Rafael Fonteles. O governador ganhou visibilidade nacional durante a campanha de Lula no segundo turno e passou a ser citado entre os nomes cogitados para integrar o futuro governo federal.
Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 26 de outubro apontou o Ministério da Fazenda entre as possibilidades discutidas para Fonteles. O governador, porém, negou ter conversado com Lula sobre a ocupação de um cargo ministerial.
A eventual presença dos dois piauienses no primeiro escalão federal permanece no campo das possibilidades. Não há anúncio oficial de nomeações, e a defesa do nome de Chico Lucas por integrantes do PT nordestino não equivale a uma decisão do presidente.
PEC da Segurança é etapa decisiva
A criação do Ministério da Segurança Pública está vinculada ao avanço da PEC 18/2025, que modifica a organização constitucional da segurança pública e prevê maior integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade.
A proposta teve sua análise concluída pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 14 de outubro, mas foi retirada da pauta do plenário no dia seguinte, em meio a divergências sobre a inclusão de mudanças na maioridade penal.
Nesta terça-feira (27), representantes do governo e dirigentes do PT reiteraram a intenção de votar a proposta ainda em 2026, sem incorporar a redução da maioridade penal ao texto. A matéria, contudo, continua dependendo de negociação política e da votação dos senadores.
Lula afirmou durante a campanha que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC. A nova pasta teria a função de ampliar a coordenação federal das políticas de segurança, em articulação com os governos estaduais e municipais.
Nesse cenário, a experiência de Chico Lucas no Piauí e sua atual atuação na estrutura nacional ajudam a explicar por que seu nome passou a ser defendido por setores do PT para comandar a futura pasta. A definição, no entanto, dependerá das decisões de Lula e do andamento das negociações institucionais para a criação do ministério.







