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| Presidente Lula na abertura da Hannover Messe, na Alemanha • Foto Ricardo Stuckert/PR |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu neste domingo (19), na Alemanha, a Hannover Messe 2026, considerada a maior feira industrial do mundo, com um discurso que combinou defesa da indústria verde, críticas aos gastos globais com guerras e alertas sobre os impactos sociais da inteligência artificial.
Diante de lideranças políticas e empresariais, Lula apresentou o Brasil como protagonista de um novo ciclo de industrialização sustentável, ancorado em energia limpa, inovação tecnológica e integração econômica. País convidado desta edição, o Brasil aposta em um modelo que alia competitividade e descarbonização, com forte presença de empresas e projetos voltados à chamada indústria do futuro.
No eixo geopolítico, o presidente defendeu a reconstrução de um multilateralismo “justo e equilibrado”, com maior protagonismo do Sul Global. Segundo ele, a legitimidade dos novos arranjos internacionais depende da inclusão efetiva desses países nas decisões estratégicas.
Lula destacou ainda a iminente entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve formar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 23 trilhões. “Escolhemos a cooperação. Mais comércio e investimento significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico”, afirmou.
Em tom pragmático, o presidente posicionou o Brasil como parceiro estratégico para a transição energética europeia. Ressaltou que o país possui uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes limpas e potencial para produzir hidrogênio verde a baixo custo, ativos considerados decisivos para a descarbonização da indústria europeia.
O discurso ganhou contornos mais duros ao abordar o cenário internacional. Lula criticou a disparidade entre os recursos destinados a conflitos armados e os investimentos sociais. “Não é possível que estejamos gastando 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em guerra e nada para acabar com a fome no planeta”, disse, ao mencionar também a persistência do analfabetismo e da falta de acesso à energia em grande parte do mundo.
No campo tecnológico, o presidente concentrou críticas na ausência de uma abordagem social mais robusta sobre a inteligência artificial. Alertou que o avanço da chamada Indústria 4.0 precisa incorporar a proteção ao trabalho e à renda. “Se a IA não tiver como foco o ser humano e o mercado de trabalho, o mundo tende a piorar”, afirmou.
Lula defendeu que os ganhos de produtividade gerados pelas novas tecnologias sejam convertidos em benefícios concretos para a população, citando como exemplo propostas de reorganização da jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1.
A participação brasileira na feira ocupa cerca de 2.700 metros quadrados, distribuídos em áreas como transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial. A expectativa é de que o evento reúna cerca de 140 empresas brasileiras, além de outras 300 representadas.
Durante a visita oficial à Alemanha, o governo brasileiro prevê a assinatura de aproximadamente dez acordos bilaterais e o anúncio de iniciativas em setores estratégicos, como defesa, inovação, infraestrutura, bioeconomia e financiamento climático.
Ao encerrar sua fala, Lula reforçou o tom diplomático: o Brasil, disse, está aberto ao diálogo com a Alemanha em diversas frentes, desde que as parcerias fortaleçam a democracia e o respeito à soberania entre as nações.
Fonte: pt.org.br / com informações da Agência Gov.

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